quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Nazi Cinema

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"Triumph des Willens" (O Triunfo da Vontade, Leni Riefenstahl, Alemanhã, 1935) foi um filme encomendado pelo Führer para mostrar que agora sim a Alemanha estava em boas mãos. O documentário é uma superprodução e as técnicas de uso de câmera, os planos sequência e o uso do offscreen (nunca mostrar o fim da multidão para dar a impressão de infinito) ajudaram a diretora a ser consagrada internacionalmente. Só tinha um único probleminha nisso tudo que eu acho que não preciso nem comentar. Durante os julgamentos que sucederam a Segunda Guerra Mundial, ela foi absolvida por alegar que não era nazista e sim uma artista. Aham...
Anos depois, Riefenstahl largou os filmes e foi virar fotógrafa. Passou um ano com a tribo Nuba no sul do Sudão fotografando seu cotidiano e rituais. Nenhum nazista que se preze passaria sequer um minuto junto de uma tribo africana, certo? Errado.
Em 1974, Susan Sontag escreveu um ensaio chamado "Fascinante Fascismo" como parte do livro "Sob o Signo de Saturno" no qual desmascara o mito de "artista inocente sob as garras dum governo totalitário" e explica por A mais B como o livro "Os Últimos Nuba" (1973) só revigora a estética nazista da diretora, agora fotógrafa, através de sua "artística" busca pela beleza pura intocada pela "civilização". Vale lembrar que essa estética nazista impera até hoje não só em Hollywood, mas por muitos cantos. 
Afirma Sontag no ensaio citado (apesar de ser da década de setenta, ainda faz muito sentido):
 
"Mais importante é que comumente se pensa que o nacional socialismo [nazismo] representa somente a brutalidade e o terror. Mas isso não é verdade. O nacional socialismo — e, de um modo mais geral, o fascismo — também representa um ideal, ou melhor, ideais que persistem ainda hoje, sob outras bandeiras: o ideal de vida como arte, o culto à beleza, o fetichismo da coragem, a dissolução da alienação em sentimentos extáticos de comunidade; o repúdio ao intelecto; a família do homem (sob a paternidade de líderes). Esses ideais estão vivos e comovem muitas pessoas [...]"

E talvez não é isso que Quentin Tarantino sugere ao final de sua obra-prima "Bastardos Inglórios" (2009) de que mesmo com o final da guerra, os nazistas ainda estão entre nós? 
Pois é, pensar às vezes é mais complicado do que parece e é por isso que isso não estava na agenda do Terceiro Reich para a população.

Sobre a tira: 
Já estava com essa ideia desde a semana passada quando lancei a tira sobre o Potemkin e nem iria desenhá-la pois uma outra ideia sobre Nouvelle Vague me veio à cabeça, de qualquer maneira optei pela primeira alternativa e até que gostei do resultado (preciso de mais prática, claro). Ia fazer tudo com nanquim e caneta bico de pena, mas acabei usando minhas canetas Staedtler mesmo. Deixo a outra ideia pra semana que vem. Achei uma loja com materiais de desenho bem mais em conta por aqui e espero poder explorá-los mais.

Abraços e bom final de semana a todos!

Ouvindo "Sympathy for the Devil" com os Rolling Stones. 

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