quinta-feira, 29 de março de 2012

Os mitos nas estrelas

 

Não se pode negar que a série idealizada por George Lucas foi e ainda é um fenômeno que perpassa gerações, no entanto ainda é comum encontrar pessoas que ficam em dúvida se assistiram aos filmes antigos ou novos ou que acham que o Sr. Spock vai aparecer a qualquer momento na tela.
Antes eu ficava indignado! 
"Como você não sabe quem é o Darth Vader?" e rolava os olhos num tom ridículo de superioridade. A questão é que como todo fenômeno, a trilogia (agora hexa) cativou uns e não cativou outros. Claro que há uma série de motivos para a história se tornar memorável: as personagens cativantes, o cenário futurístico/fantástico e não se pode esquecer que Lucas baseou suas ideias no famoso livro de Joseph Campbell chamado "O Herói de Mil Faces" (1949) que faz um estudo da trajetória do Herói nas histórias da mitologia ocidental sempre estruturadas mais ou menos por esse elementos: 
  • a saída do cotidiano;
  • as aventuras lidando com forças ocultas ou sobrenaturais;
  • os fiéis escudeiros;
  • o mentor sábio;
  • a revelação;
  • o amadurecimento; 
  • o confronto final;
  • a volta ao local de origem possuindo algo a mais; 
A maioria das histórias seguem esse padrão e você pode pegar os seus livros do Harry Potter na estante e conferir. Melhor, pegue a "Odisséia" de Homero. Quer saber? "O Senhor dos Anéis" dá conta do recado e se você estiver com tempo, entre na igreja mais próxima e pergunte ao padre a história de Jesus Cristo. Todas elas seguem o mesmo padrão e ao reconstruí-lo de uma forma original, divertida e dinâmica, o barbudo de óculos de armação grossa conquistou milhões de fãs no mundo todo e encheu o bolso de grana até hoje trabalhando mais como produtor de filmes do que como diretor.

Mesmo não tendo me surpreendido com o desfecho de "O Império Contra-Ataca"(1980) considerado por muito o melhor da série, não me esqueço de ter pedido de aniversário a trilogia remasterizada que tinha acabado de ser lançada em VHS. Infelizmente, não sei que fim as fitas deram, mas meu DVDs duplos (versão remasterizada e versão original sem reparos digitais) estão descansando calmamente na minha estante em São Paulo dentro da latinha da edição especial de colecionador.

É isso! Bom final de semana a todos e que a força esteja com vocês!

Ouvindo "Forever Young" de Bob Dylan.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Impressões de Nova York em quadrinhos (Parte I)

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Eu achei que não ia me impressionar com a cidade que nunca dorme, mas me enganei! Depois de me perder em Chinatown achei uma estação de metrô e vi que ela não ia me levar pra lugar algum. Andei dois quarteirões até achar uma que servisse. Carreguei meu recém comprado Metrocard (um bilhete único com data de validade) e fui pro meu hostel no Brooklyn. Lá também me perdi e diferentemente do bairro homônimo de São Paulo, o Brooklyn de New York é bem grande e portanto, cheio de diferenças. O bairro também abriga um público bem variado e depois de receber um monte de direções erradas, uma simpática senhora numa loja de construção me indicou o caminho certo. Visitei um bocado de lugares, mas não vou usar esse post para isso. Em breve posto algo mais detalhado no Iudú com fotos e tudo mais. Bem coisa de turista mesmo.
Atrasei a tira dessa semana pois voltei da big apple numa crise de consciência danada. Não consegui sentar um minuto para escrever e desenhar pois minha cabeça estava a mil por uma série de motivos que em breve soltarei aqui. Além disso, estava com trabalhos acumulados e não queria fazer feio com meus queridos professores.

É isso! Amanhã tem mais!

Ouvindo a versão da Cat Power  de "New York"

PS: Odeio implorar por comentários, mas gosto sempre de saber o que as pessoas estão achando dos quadrinhos e tals. Opiniões construtivas me fazem pensar mais.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A Lua recebe visitantes

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Tira feita com pincel, nanquim e  água

A primeira vez em que assisti à "Viagem à Lua" (1902) do francês Georges Méliès (Le voyage dans la lune soa mais chique, eu sei...) foi há um tempão no teto da Oca numa excursão da escola. Não lembro sobre o que era a excursão, mas lembro bem do filme e lembro da monitora falando que esse tinha sido um dos primeiros filmes com roteiro da história do cinema. 
"É curtinho! Quinze minutos e já está pra começar, vamos ver?" a criançada deitou nos puffs e assistiu aos cientistas pousarem na Lua e lutarem contra as criatura nativas.
É talvez um bom exemplo de como um filme é produto de sua época mesmo que conte uma história completamente descolada da realidade.
Quer argumento mais neocolonialista do que explorar o inexplorado e matar os nativos desse lugar?

Ano passado, uma cópia colorida foi restaurada e apresentada na Mostra Internacional de São Paulo com uma trilha sonora revisitada. Não custa nada dar uma pesquisada na internet e assistir ao filme que já é domínio público e acho que as duas versões estão rolando por ai. Detalhe para o fato que pintaram quadro por quadro do filme para que obtivessem cor. Loucura, não?

Enfim, não vou me demorar! Preciso terminar de ajeitar minhas coisas pois essa noite parto para Nova York pra assistir a um Simpósio sobre quadrinhos na Columbia University! Desejem-me sorte!

Um abraço e bom final de semana!

Ouvindo The Smashing Pumpkins com "Tonight, Tonight"

segunda-feira, 19 de março de 2012

Coisas da vida

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Lutando pela inspiração, bolei um traço diferente do comum. 

Passei a semana passada na Flórida e apesar de ficar a maior parte do tempo na sombra, voltei com a cor do pecado. Fiz algumas fotos da viagem e coloquei na minha página do Flickr para quem quiser ver. Pelas imagens, parece que eu passei o dia inteiro na beira da praia procurando algo para fotografar. Foi bem isso mesmo, mas nas saídas noturnas eu preferi deixar a câmera em casa para poder curtir melhor a night. Aliás, isso foi um problema porque tinha dias que eu só queria ficar de boa, tomando um suco, sentindo a brisa do mar e vendo a banda passar, mas a galera me arrastava para as baladas barulhentas que fazem seus poucos dólares esvaírem-se da carteira num gole de Rum and Coke (a boa e velha Cuba Libre).

Enfim, é isso! De volta à vida real!
 
Um abraço e boa semana a todos!

Ouvindo "A Real Hero" trilha sonora do filme "Drive"

A kiss is just a kiss...

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"Sempre teremos Paris..." (We'll always have Paris...) foi votada a quadragésima terceira frase mais célebre da história do cinema americano segundo o American Film Istitute (AFI). Outras cinco frases do filme figuram nessa mesma lista fazendo de "Casablanca (1942)" de fato um filme inesquecível não só pelo contexto histórico de plena Segunda Guerra, mas também pela história de amor impossível entre Rick Blaine e Ilsa Lund, respectivamente interpretados pelo eterno galã Humphrey Bogart  (uma das minhas referências pessoais no quesito charming gentleman) e a belíssima Ingrid Bergman que depois da guerra atuou em filmes notórios de Alfred Hitchcock.
Obviamente, deve-se assistir a esse filme com olhos atentos para não cair nas armadilhas de ideologias norte-americanas afinal é um filme de guerra feito em plena guerra com uma história de amor ao fundo, ou seria uma história de amor com uma guerra ao fundo obrigando as pessoas a cometerem certos sacrifícios?
Especial atenção à clássica e também inesquecível canção tema "As Time Goes By" interpretada por Sam (Doodley Wilson) pianista do bar e amigo pessoal de Rick.
Independente das análises críticas e tudo que inclui a leitura de um filme, "Casablanca" passou por mim e ficou por ali junto com tantos outros favoritos sempre me fazendo suspirar sem razão...

Abraços!

Ouvindo Norah Jones com sua versão de "The Nearness of You"

segunda-feira, 12 de março de 2012

Quando a paixão bate...

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Hey, moçada!
Este é um post automático! Fiz essa tira na semana passada junto com a do Nosferatu e nesse exato momento devo estar em Panamá city  jogando xadrez e ajudando velhinhas a atravessar a rua pois é isso que os jovens fazem aqui nos Estados Unidos durante o Spring Break (Pausa da Primavera).

Aliás, não vai rolar a Moviestrip nessa quinta, mas assim que eu chegar atualizo o blog.

Já que não estou por aqui, aproveite para divulgar a página do De Segunda no facebook.
Acho um barato que uma galera que eu não conheço está começando a curtir a página para receber atualizações! Estou me sentindo um celebridade! Hehe!

Pois bem! Não sei o que estou ouvindo porque não estou aqui então sem música hoje!

Boa semana a todos!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nosferatu: O vampiro que não brilhava no Sol...

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Tira feita com nanquim e água.

Há um tempo atrás enquanto vagabundeava em frente à TV na minha antiga república, me deparei com um "Festival Nosferatu" no super cult Telecine Cult. A iniciativa do canal era passar o original de 1922, a ótima refilmagem de 1979 do diretor alemão Werner Herzog e um filme que fizeram nos anos 2000 chamado "A Sombra do Vampiro" que conta uma versão do que aconteceu durante as filmagens desse grande ícone do Expressionismo Alemão. No filme, John Malkovich interpreta F. W. Murnau, o diretor e Willem Dafoe (o Duende Verde do Homem-Aranha) interpreta Max Schrek, o ator que interpretou Nosferatu. A bizarrice do roteiro é que ele sugere que Max era na verdade um vampiro original encontrado por Murnau e que se encaixava perfeitamente para o papel, mas como sempre, o pacto com o monstro sai pela culatra e o diretor se vê num beco sem saída. Vale a pena dar uma espiada nessa engraçada homenagem ao clássico filme.


**

Gostaria de falar mais sobre o filme, mas estou num a preguiça danada! Estou indo viajar para o Spring Break daqui algumas horas e nem preparei minha mala (nem lavei minha roupa, na verdade). 
Já programei a tira de segunda para de postada automaticamente por aqui e enquanto vocês se divertem, estarei banhando meu belo e bronzeado corpo nos mares da Flórida em Panamá city. 
Dizem que a coisa lá é uma loucura! Vamos ver! 

Abraços e bom final de semana a todos!

Ouvindo Beatles com "Here, There and Everywhere"

segunda-feira, 5 de março de 2012

O fim da fofura

English Version
Há muitos esquilos em Richmond. Volta e meia você vê um perambulando pelas árvores ou fuçando em alguma lata de lixo. Eles são muito ariscos e percebi que são parte da cidade e muita gente nem percebe que estão ali. Certa vez, enquanto caminhava sonolento para minha aula, vi um grupo de pessoas tirando fotos com seus celulares de um galho de uma árvore. Engano meu ao achar que eles fotografavam uma feliz família de esquilos. Percebi que a Sr ª Coruja esmagava com suas poderosas garras um pobre esquilo que nem deve ter visto o que o atingiu. Pobre Sr. Esquilo!

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Na noite passada, o  bicho da insônia me picou e a internet parou de funcionar. Tensão! Antes de concluir que tinha voltado à idade da pedra, lembrei que tinha alguns livros na minha estante esperando ansiosamente para serem lidos. Encarei por alguns instantes meu recém comprado "O Som e a Fúria" de William Faulkner, mas resolvi deixá-lo para depois. Imagino ser um daqueles livros que requerem um estado de espírito adequado para ser apreciado e não durante uma impaciência noturna. Lembrei que na minha segunda semana nos EUA fui visitar a loja de quadrinhos da cidade e acabei comprando "Wilson" de Daniel Clowes (mesmo autor de "Mundo Fantasma" já citado nas incautas Tiras de Segunda. Clique aqui se não lembra).
O livro conta diferentes cenas do cotidiano de um cara de meia idade que não se dá muito bem com a sociedade que o cerca. Cada página descreve uma situação de um modo distinto, desde o traço até as cores e apesar de funcionarem muito bem como tiras individuais recheadas de sarcasmo e humor negro, elas acabam se ligando uma à outra dando um sentido linear para aquele período na vida de Wilson, um herói sem graça com quem a gente acaba se identificando.

Fico por aqui!

Um abraço e boa semana a todos!

Ouvindo "Coisas do Mundo, Minha Nega" com Paulinho da Viola.

sexta-feira, 2 de março de 2012

"Somos todos filhos de Hitchcock!"

English Version
Tenho certeza que minha mãe vai falar duas coisas depois de ver essa tira:
1- "Não era bem assim!"
2- "Ah! Agora tudo faz sentido!"

Alfred Hitchcock foi um diretor que sabia fazer verdadeiras obras de arte com bons resultados de bilheteria. Foi por um tempo considerado um diretor menor justamente por fazer filmes que tinham como função primordial entreter seu público ao invés de fazê-lo pensar na vida e em suas condições materiais como fizeram diretores do neo realismo italiano ou o sueco Ingmar Bergman. Foi ai que alguns diretores e críticos franceses (Ah! Os franceses!) perceberam que esses não eram meros filmes de ação e suspense, mas sim filmes com uma qualidade técnica acima do comum e que poderiam levantar discussões sobre o indivíduo preso a condições impostas pelo mundo em que habita. Conhecido como o "mestre do suspense" Hitchcock serviu de exemplo para a teoria de diretor auteur (autor em francês) sugerida pelo diretor francês François Truffaut (autor da frase título desse post). Nos primeiros anos de Hollywood, diretores eram só mais uma peça no processo de produção de um filme e geralmente os créditos eram voltados mais para o produtor dos filmes do que para o diretor em si. A teoria de auteur supõe que o diretor é sim uma parte fundamental do filme e geralmente deixa sua marca registrada em sua obra, no caso de Hitchcock, o suspense e as reviravoltas inesperadas nos minutos finais, por exemplo. Apesar de nunca ter escrito seus filmes (o que daria um caráter bem mais autoral à obra) ele sempre trabalhava lado a lado com os roteiristas para que certas cenas saíssem do jeito que ele queria. Sua obra está incrustada no imaginário popular, queiramos ou não e graças a ele, minha mãe jamais vai conhecer qualquer namorada minha.

Fiz essa tira com canetas nanquim mesmo. Desenhar em preto e branco é até que divertido porém o tempo que economizo no photoshop eu gasto desenhando os detalhes.

É isso!

Abraços e bom final de semana a todos!

Ouvindo Talking Heads com "Road to Nowhere"